Postado em 17 agosto 2017

Em abril deste ano, fizemos um texto destacando campanhas de publicidade inclusivas, que têm a intenção de falar com todos os públicos, envolvendo e respeitando as minorias. Essa atitude é muito louvável e atual, mas talvez seja ainda mais importante garantir que as campanhas cheguem e sejam acessíveis a todos os públicos, respeitando muitas outras diferenças e condições. E, neste ponto, estamos falando de pessoas com deficiência.

O motivo é simples e estatístico: no Brasil, segundo o IBGE (2010), 45,6 milhões de pessoas declaram ter algum tipo de deficiência, o que corresponde a cerca de 23,8% da população. Dentre os diferentes tipos de deficiências, 3,6% da população é atingida pela falta de visão permanente e 1,2%, pela falta de audição, sentidos importantes para a comunicação.

A quantidade de pessoas que faz parte deste grupo é bem grande e, independente de suas condições, todas são consumidoras. Afinal, nos anos 2000, essa parcela da população teve um aumento de 5.000% no mercado de trabalho, aumentando seus rendimentos. Assim, elas efetivamente passaram a fazer parte da cadeia de consumo, mas possuem diferentes necessidades na hora de receber a informação e definir o que é melhor consumir. É por isso que a publicidade deve ser acessível e não ser pensada para grupos específicos, e sim, para todas as pessoas.

Por mais que muitos pensem o contrário, para envolver diferentes pessoas não é preciso separar a publicidade e criar um novo tipo. Uma prova disso é a utilização do closed caption ou de intérpretes de libras na televisão, que permite que deficientes auditivos acompanhem a programação sem problemas. Por que não inserir recursos assim também nas propagandas? Já no meio online, as possibilidades são muitas e recebem cada vez mais investimento. Existem programas como o Prodeaf, que propõe soluções de comunicação online para surdos, tanto em sites quanto no celular; o NVDA (NonVisual Desktop Access), um leitor de tela gratuito que facilita que pessoas com algum tipo de dificuldade visual possam mexer no computador sem problemas, ao escutar o que está sendo mostrado na tela; e a grande maioria dos computadores e celulares produzidos atualmente já vêm com o leitor de tela incluso. Essas possibilidades só não leem as propagandas.

Ferramentas assim, além de outras mais comuns como braille e rampas para cadeirantes, são tecnologias assistivas, que servem para facilitar o dia a dia de pessoas com deficiência. São exemplos assim que podem, e devem, ser adaptados para a publicidade, pensando nas necessidades de todas as pessoas, e em como fazer todas serem impactadas por pelos anúncios com a mesma intensidade.

Se as propagandas veiculadas são, majoritariamente, visuais ou auditivas (e, em muitos casos, os dois), é preciso utilizar recursos assistivos também em sua produção, garantindo que elas cheguem a uma parcela maior da população, e que todos recebam a mensagem corretamente, independente de qualquer condição. Cuidados assim são positivos tanto para os consumidores, que passam a ser reconhecidos, quanto para as empresas, que serão ouvidas de forma muito mais ampla.

*(ao longo deste post, publicamos exemplos de ações e propagandas que foram feitas pensando também em pessoas com alguma deficiência. Assim, queremos mostrar que talvez não seja tão difícil incluir todos)