Postado em 07 abril 2017

Na semana passada, analisamos a importância de um bom gerenciamento de crises e citamos marcas que têm sido referência de postura com o público; a Skol foi uma delas e ela não parou por aí. Nesta semana, a cerveja lançou uma campanha que sai do lugar comum e pretende ser mais inclusiva, tendência que outras marcas têm seguido.

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A campanha feita em conjunto ao coletivo MOOC de arte, música, audiovisual e moda chama Skolors, e lança uma edição especial de latinhas da cerveja em diferentes cores, representando a pluralidade de cores de pele que as pessoas têm. Defendendo a diversidade, a atual slogan da marca é “Redondo é sair do seu quadrado”. Lançado no dia 4 de abril nas redes sociais, o vídeo da campanha já teve mais de um milhão de visualizações e 23 mil compartilhamentos. Nos comentários, o público elogia e reconhece a intenção de empatia da marca, especialmente quando comparada às campanhas anteriores que exploravam o corpo feminino.

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A Skol não é a primeira marca a trabalhar com campanhas que respeitam a diversidade, e não só na cor da pele. A empresa O Boticário tem buscado outros caminhos em sua publicidade nos últimos anos, como no vídeo do dia dos namorados de 2015, que mostrou casais homossexuais trocando presentes. Mesmo tendo sido alvo de boicotes e até de um processo no Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) – que foi arquivado após a marca ter sido absolvida -, a campanha ganhou o Grand Effie (prêmio máximo) no Effie Wards Brasil 2015 – premiação internacional das grandes estratégias de marketing e comunicação. Outras campanhas da marca que tiveram bastante destaque foram as dos dia dos pais de 2015 e 2016 que tratavam, respectivamente, de adoção e de uma homenagem aos padrastos, seguindo uma estratégia de retratar diferentes formas de relacionamento e modelos familiares.

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Outras marcas, especialmente de produtos femininos, começaram a investir em campanhas que exaltam todo tipo de beleza. A Dove, por exemplo, em uma propaganda de 2015, incentiva meninas a amarem seus cachos seguindo o exemplo de mulheres que o fazem. Em outra campanha, do mesmo ano, a marca fez um desafio para mulheres em algumas cidades do mundo, inclusive em São Paulo: portas de lugares públicos foram marcadas com as palavras “bonita” e “comum”, e o público deveria escolher por onde entrar. Assim, a marca trabalha com a ideia de que se sentir bonita é uma escolha. O vídeo da campanha foi o mais visto em abril daquele ano.

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A aceitação e a auto estima têm sido defendidas em campanhas em geral. A marca de lingerie Tulli.me, por exemplo, vende peças para todos os tamanhos e, por isso, coloca mulheres reais, com todos os tipos de corpos, como modelos de suas campanhas. Concomitantemente, marcas como Alphabeto, BB Básico e Reserva estão se preocupando com a inclusão de pessoas com deficiências físicas ou genéticas em campanhas de roupas desde 2015. Não houve nenhum tipo de alarde ou grande divulgação, essas pessoas foram naturalmente incluídas na equipe de modelos. Afinal, todos são consumidores, e é importante que todos se sintam representados.

Observando campanhas assim, vemos uma tendência de abranger cada vez mais públicos, mostrando respeito e valorização por todo tipo de diversidade. Isso é muito relacionado ao que grande parte do público quer ver e consumir. Ainda assim, a mudança de postura tem que ir além de campanhas publicitárias, mas é importante reconhecer que, talvez, algumas transformações positivas já estejam acontecendo.